quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O celular da discórdia

Essa é uma pequena homenagem para o meu avô, o personagem da história.


“Na pequena cidade, onde todos dormem cedo, as ruas estavam mais pacatas do que nunca. Naquele dia, o velhinho careca e barrigudo, estava andando lentamente até à sua casa. Para a sua surpresa, um camarada de bicicleta o interrompe e pede informações sobre a localização de uma rua.

- Senhor, onde fica a rua sem caminho? - Indagou o desconhecido.

- A rua sem caminho? Hummm, fica na esquina com a rua sem nome. – Respondeu.

O velhinho não teve nem tempo de seguir o seu caminho. O doido da bicicleta, rapidamente, arrancou o celular do bolso do senhor. E foi aí que tudo começou. Indignado com o fato, a vítima tentou tomar de volta o objeto. Depois de um empurrão, o careca caiu no chão, sem defesa e com muito medo do canivete que o sujeito segurava. Mas isso não o impediu que segurasse na perna do Sr. Canivete, com muita raiva, até derruba-lo com a sua bicicleta e tudo.

Eis, que no meio da batalha sem fim, o celular é arremessado para longe, como se fosse uma bola de futebol americano. (É bem aquele pensamento: “Se eu não posso ficar com ele, ninguém fica”. E olha que o celular é da época da onça). Plaf! Espatifou-se no chão, pecinhas para todos os lados. O ladrãozinho de meia tigela se levantou, conseguiu erguer a bicicleta e já estava se preparando para fugir da situação, quando ele olhou para a vítima indefesa caída na rua e...

- O senhor se machucou? Deixa eu te ajudar, me dá a mão.

O velhinho se levantou com a ajuda e logo em seguida observou a bicicleta sumindo lá longe. Ele ficou ali, parado, até mesmo porque não acreditava no que estava acontecendo. Ninguém apareceu para ajudá-lo, exceto o próprio ladrão de galinha. Foi até onde estava o celular, pegou do chão as peças e continuou o seu caminho. Mas não tente chama-lo na rua para pedir informação, ele vai se fingir de surdo”.


As falas e alguns detalhes são ilustrativos, invenção da minha cabeça. Infelizmente eu não estava em cima de uma árvore assistindo tudo, nem ao menos para ajudar o meu avô. Como ele é um pescador nato, vive contanto lorotas. O único fato extraordinário que sei e que é verdade, é que ele jogou bola com o Pelé lá em Bauru. Tem até foto para comprovar. Não sei se a história do ladrão da meia noite aconteceu realmente, só sei que o celular dele está todo esfolado. “Vô, espero que melhore logo para sair do hospital”.

1 comentários:

Carlos disse...

Esse é meu Tio Wilson... hehehe contador de lorotas mesmo, mas gosto muito dela... Tio sai dessa logo... e volta pra Araçatuba pra contar mais lorotas ainda... abraços Carlos Henrique...